billatsmart.jpgMuitos acadêmicos, consultores que atuam nas multinacionais e teóricos adoram dizer que a empresa familiar é um mal e que deveria evoluir para se transformar em uma sociedade aberta. Estas afirmações funcionam muito para a mídia, dando-lhes Ibope, mas carecem de uma reflexão mais profunda e mostram que não são realmente especializados em empresa familiar, por vocação e filosofia.

Em primeiro lugar, existem várias características da empresa familiar que são muito benéficas, sustentando o tecido econômico do Brasil, onde elas são muito representativas, sem citar o que ocorre em outras sociedades, onde também tem relevante contribuição social e econômica.

Em segundo lugar, as empresas familiares devem se profissionalizar, sim, mas isso não representa que deixem de ser familiares. Isto pode até ocorrer mas não é condição sine qua non. O ponto aqui é que elas assimilem o modo profissional de gerenciamento, distinguindo o que é empresa do que é demanda pessoal. Que integrem ao seu modo operativo e gerencial as melhores técnicas e os mais modernos recursos. Mas isso é também demanda para a empresa não familiar.

A questão central nas empresas familiares é a evolução das relações estruturadas sobre os papeis sociais na família – pai, mãe, irmãos, tios, cônjuge e outros – para as relações estruturadas sobre os papéis técnicos e de liderança efetiva no âmbito da empresa e dos negócios.

Isso ocorre também em empresas não-familiares. Quantas pessoas empregadas em organizações não-familiares têm com seus superiores uma relação quase idêntica à mantida com os pais? Quantas pessoas trabalham lado a lado, em multinacionais, reproduzindo as relações conflituosas com irmãos, que não foram mediadas pela maturidade e, portanto, continuam não evoluídas para uma visão mais madura dos relacionamentos?

A consultoria especializada em empresas familiares tem a clareza sobre como é fundamental levar as pessoas da família a compreenderem seus papéis técnicos e liderísticos no contexto empresarial, apoiando-as para aplicarem técnicas de gerenciamento e organização adequadas, e assim, com o tecnicismo correto, superarem seu modo subjetivo de se relacionar, como faziam no âmbito familiar.

Com este aprendizado, as empresas familiares não só se tornam ambientes saudáveis e estimuladores para a família e os funcionários como também formam pessoas que contribuirão com ética e respeito em novas organizações.

  

galhos.jpgExistem teorias psicológicas que insistem no abandono dos pais, para que se processe a verdadeira autonomia de um indivíduo.  Estas afirmativas, quando feitas em tom paradigmático, podem comprometer toda a vida de um indivíduo. Devemos, sim, buscar a autonomia e a auto-realização, no entanto, desvincular-se dos pais é uma etapa entre tantas e não significa tudo isto. Penso que estas teorias são veementes neste aspecto para forçar a passagem da adolescência para a fase adulta, forçarem o desmame, por assim dizer. Mas deveriam, depois, ampliar o conceito porque os pais, assim como nossos ancestrais, fazem parte visceral de nossas vidas.

 Como galhos de uma árvore, sabemos que se cortarem as raízes – nossos ancestrais -  morremos. Sabemos também que, se cortarem o tronco, os galhos também fenecem.

Os galhos crescem e se desenvolvem em sua plenitude e integridade, reconhecendo-se como únicos – uns cedem ao vento, outros empinam-se rijos, outros enovelam-se em outros galhos – mas integrados à árvore. Se não, fenecem.

A árvore foi uma escolha que fizemos, muito antes de entrar neste planeta. E mesmo que não creiamos nisto, só de olhar a realidade da natureza à nossa volta, e da própria vida, observamos que é preciso ter esta atitude de reverência aos ancestrais e aos pais, se quisermos crescer de forma plena. Existe uma interdependência harmônica no meio ambiente, no modo social que escolhemos, que faz com que as coisas caminhem e evoluam. Os casos de seres humanos encontrados em florestas, sem a vinculação social, são claros nos resultados desastrosos para seu desenvolvimento.

Reverência não significa dependência ou subserviência mas, sim, respeito ao que o outro foi e representa, reconhecimento de sua contribuição e de seu papel e atitude madura de fraternidade.

Quando a família não soube trabalhar este valor tão importante, não só a empresa familiar estará prejudicada mas, em nível mais amplo, a própria sociedade. Ela produzirá galhos desgarrados que entrarão no mundo competindo, sem ética, desrespeitando valores e verdades importantes, e interrompendo o fluxo da vida.

No dia a dia da empresa familiar, a lição dos galhos deve ser estendida à cadeia de comando e liderança, para que todos compreendam o papel de cada um e a importância do respeito às qualidades e características de cada indivíduo, compreendendo como ele contribui e respeitando sua forma de ser e pensar.

Constitui, ainda, um dos ensinamentos mais relevantes para que os sucessores construam sobre a base antes edificada, remodelando, modernizando, mas sem destruição desnecessária. Quem fala que só se pode construir sobre a destruição, não entende da arte da restauração nem das reformas inspiradoras.

sunflower4.jpgA unidade é o único baluarte do sucesso grupal.

La unidad es el único baluarte del éxito grupal.

Unity is the only bulwark of group success.

L’unité est l’unique bastion de la réussite d’un travail de groupe.

Die Einigkeit ist der einzige Träger des Gruppenerfolgs.

                                                                                                                                        Morya  

Temos sido convocados à convivência com a diversidade em várias instâncias. No âmbito social, o convívio com os afrodescendentes, a aceitação da mulher em condições de igualdade de poder, ganhos e talentos, a inclusão dos deficientes. No âmbito da natureza, a prevalência de cenários da belíssima e diversificada mata atlântica questiona a clássica ordem dos jardins de Luiz XIV com sua rígida distribuição axial, a poda de árvores para ganharem forma simétrica e assim por diante. Na cultura, estamos muito longe do rock do início dos anos 50. Hoje é grunge, gothic metal, heavy metal, punk, HC, Emo…  

Vivamos a diversidade! Falta ainda muito para que seja uma outra fase a superar na história da humanidade. 

Conceitualmente, porém, podemos experienciar esta nova fase da humanidade, em um futuro de talvez algumas décadas, discutindo a unicidade. A unicidade é uma energia especial. Sempre que dela partilhamos, em um grupo de amigos, jogadores de um time ou integrantes de um grupo qualquer, sentimos força, energia, vontade de fazer, entusiasmo. Quando um grupo alcança esta unicidade, caminha mais rápido.  

Não estamos falando aí de uma linha fascista, onde líderes fortes colocam pessoas no brete, forçando-as a uma uniformidade. Nem falamos também da unidade decorrente do nivelamento por baixo, típica da sedução de movimentos revanchistas ou similares. 

Referimo-nos à organicidade. O uno que metaboliza, sinergiza, amplia. Como nos sistemas biológicos que se entrelaçam na unidade e diversidade. Unidade de estrutura e função e grande variedade de formas. O DNA, como molécula informacional, conformando toda a vida na Terra, e ao mesmo tempo a esplêndida diversidade que nossos olhos vêem.

Toda esta reflexão aqui é feita para chegar a um ponto: a empresa familiar tem esta organicidade, que tanta beleza dá à vida na Terra. A carga genética que une os membros da empresa familiar, as relações afetivas sobre as quais as pessoas foram criadas, e até mesmo os conflitos e dramas pelos quais a família passou, tudo isso plasma uma realidade única, transformando-a em verdadeira unidade metabólica. 

O dia-a-dia da vida empresarial não permite ver esse talento singular. O que mais se expõe é a informalidade, as pequenas brigas de poder, os favorecimentos e tantos outros problemas. No entanto, quando há uma crise, observa-se claramente esta organicidade presente. As pessoas lutam para se superar a instância crítica e, naquele intervalo, todos respeitam os líderes que resolvem. E todos se unem. 

Existem, é lógico, empresas familiares que, na crise, se esfacelam. Quantos casamentos não sucumbiram quando a empresa entrou em uma concordata? No entanto, se existir o sentido familiar presente, não há unidade empresarial mais unida e sólida. Lembra muito quando irmãos, noras e genros se unem porque a mãe ou o pai está passando mal. Ali se esquecem as diferenças e todos se juntam para apoiar o genitor problematizado. Nenhuma empresa, não familiar, conseguiria esta força quase metabólica, intestina, que suplanta diferenças para ganhar direção unívoca. 

Faço estas reflexões porque vale a pena, às vezes, resgatar aqueles momentos da história da empresa familiar, em que os seus membros arregaçaram as mangas, superaram as diferenças e mandaram ver. É aquela força que dá tônus singular e diferenciado à empresa familiar e que, devidamente compreendida, pode ser sempre convocada, quando problemas fortes surgem.

maca.jpgOldoni Pedro Floriani tem o mérito de anos de experiência em auditoria, inclusive em empresas familiares. Agregou outro mérito: o livro condensando sua experiência. Compartilhe aqui suas idéias, expostas em slides muito sintéticos e claros.

http://www.learned.com.br/arq/publicacoes/Auditoria%20nas%20Empresas%20Familiares.pdf

range_bassoon.png

Foi pensando em como é complicado o fagote, é como é simples o nosso pagode, que me inspirei para comentar a questão do conhecimento na empresa familiar. 

Gestão do conhecimento é um tema da atualidade e está fortemente ligado à questão da hierarquia funcional, ou seja, o que é produzido nos vários níveis da cadeia de comando. 

Aí está o primeiro ponto: empresas familiares, pequenas e médias, não têm, em geral, uma preocupação formal com a cadeia funcional. Manuais, organogramas detalhadas, descrições funcionais não são objeto de desejo para elas.  

O fagote deles

Grandes organizações (mesmo familiares) são o oposto: criam uma camisa de força estrutural, definindo-se áreas de comando, centros de poder e territórios de informação. É esta preocupação que assegura em um banco, por exemplo, a confiabilidade de seus registros e a privacidade da informação que a eles oferecemos sobre nossa vida pessoal, profissional e financeira. No entanto, do ponto de vista do fluxo do conhecimento, estes entraves são veias esclerosadas impedindo que a informação flua.  

É por isso que, de repente, o pessoal que gerencia seguro não atualizou o seu endereço – que você em tempo informou ao gerente de sua conta – e acabaram enviando o aviso de vencimento iminente de sua apólice de seguro automotivo para o seu antigo apartamento. E você quase perde a data de renovação.  

Filtros impedem, nas grandes organizações, que pessoas “não qualificadas” para determinados níveis de informação, tenham acesso a ela. Conseqüência: as coisas vão ficando “partidas”. A estrutura, nas grandes empresas, me lembra o fagote, difícil demais para aprender, complexo – tem fagote, fagotino, contrafagote. Não tem mais fagote? Não importa. Está lá no manualzão, que a última consultoria deixou, e não se pode jogar fora. A coisa é rarefeita, requer músculos e ampla caixa respiratória. Mas o produto final é diversificado, erudito, e tem notas muito específicas que podem deleitar o mais exigente dos consultores. Tudo tem, afinal, altos e baixos. Ou, como nos fagotes, graves… 

Nosso pagode

Diversamente ocorre na empresa familiar, onde o fluxo é aberto. É o nosso pagode. A mulher do café tem acesso a reuniões delicadas sobre a concorrência, o menino da xerox lê documentos importantes sobre novas estratégias de mercado e a secretária é muito amiga da irmã do dono da empresa familiar, concorrente em sua cidade. Tudo isso abre a comporta das empresas familiares, de porte pequeno e médio, para as informações de fora para dentro e vice-versa.  

A notícia de uma oportunidade boa de mercado chega pelo assistente do financeiro que é namorado da amiga da sócia de uma nova empresa queestá se instalando na cidade. O diretor, maravilhado, ouve o caso que o assistente esperto lhe conta. Dias depois, o sócio-fundador sai no jornal com o big shot da nova empresa, uma multinacional neozelandesa que acaba de descobrir o Brasil. Mais um mês e aparecem na televisão regional, firmando um tremendo de um contrato. Na manhã seguinte, diretor aparece no setor financeiro e bate no ombro do gerente, piscando para o assistente: “Vai longe este menino… cuide bem dele.”.  

Então, como ficamos?

Nem tanto ao fagote e nem tanto ao pagode, certo? As empresas familiares deveriam parar um pouco e pensar com calma sobre a questão do fluxo do conhecimento em seus arejados ou estreitos corredores. A informação tem ali um fluir mais tranqüilo, no entanto, carece de instrumentos de suporte mais modernos, ainda se aproximando muito do foco individual. No entanto, uma empresa usa a informação de maneira diferente do indivíduo. Faça um passeio pelo que há por aí. Já ouviu falar do “managing by wandering around”? 

Verão que, no esqueleto tecnológico das organizações multinacionais já é rotina o e-mail, o voice-mail, a intranet, o circuito fechado de televisão em elevadores, etc. Empresas fictícias, criadas por grupos de universitários ou estudantes de MBA, também usam as novas mídias como um recurso rotineiro.  

Ande mais. Navegar pelo www.grupos.com.br pode ser uma agradável surpresa. Ali, nano empresas dançam fagueiras na tecnologia, intercomunicando-se direto pelos espaços do grupo, pelos blogs, ou mesmo com apoio de serviços como o twitter, onde um conta para o outro, real-time, o que está fazendo exatamente naquele minuto, e assim por diante. 

A pequena e média empresa, especialmente a familiar, tem esta liberdade fluída que lhe permite navegar por todo este conhecimento e selecionar o que é melhor para o seu mundo. Depois, é só aplicar e acostumar o seu pessoal a se utilizar dos recursos, da forma mais amena possível. Nada de tutores pesados, ou a coisa para de fluir. O conhecimento é o verdadeiro capital. Não podemos deixar de gerenciá-lo com modernidade e inteligência.

Visite o site www.famigliaecia.com.br.