galhos.jpgExistem teorias psicológicas que insistem no abandono dos pais, para que se processe a verdadeira autonomia de um indivíduo.  Estas afirmativas, quando feitas em tom paradigmático, podem comprometer toda a vida de um indivíduo. Devemos, sim, buscar a autonomia e a auto-realização, no entanto, desvincular-se dos pais é uma etapa entre tantas e não significa tudo isto. Penso que estas teorias são veementes neste aspecto para forçar a passagem da adolescência para a fase adulta, forçarem o desmame, por assim dizer. Mas deveriam, depois, ampliar o conceito porque os pais, assim como nossos ancestrais, fazem parte visceral de nossas vidas.

 Como galhos de uma árvore, sabemos que se cortarem as raízes – nossos ancestrais -  morremos. Sabemos também que, se cortarem o tronco, os galhos também fenecem.

Os galhos crescem e se desenvolvem em sua plenitude e integridade, reconhecendo-se como únicos – uns cedem ao vento, outros empinam-se rijos, outros enovelam-se em outros galhos – mas integrados à árvore. Se não, fenecem.

A árvore foi uma escolha que fizemos, muito antes de entrar neste planeta. E mesmo que não creiamos nisto, só de olhar a realidade da natureza à nossa volta, e da própria vida, observamos que é preciso ter esta atitude de reverência aos ancestrais e aos pais, se quisermos crescer de forma plena. Existe uma interdependência harmônica no meio ambiente, no modo social que escolhemos, que faz com que as coisas caminhem e evoluam. Os casos de seres humanos encontrados em florestas, sem a vinculação social, são claros nos resultados desastrosos para seu desenvolvimento.

Reverência não significa dependência ou subserviência mas, sim, respeito ao que o outro foi e representa, reconhecimento de sua contribuição e de seu papel e atitude madura de fraternidade.

Quando a família não soube trabalhar este valor tão importante, não só a empresa familiar estará prejudicada mas, em nível mais amplo, a própria sociedade. Ela produzirá galhos desgarrados que entrarão no mundo competindo, sem ética, desrespeitando valores e verdades importantes, e interrompendo o fluxo da vida.

No dia a dia da empresa familiar, a lição dos galhos deve ser estendida à cadeia de comando e liderança, para que todos compreendam o papel de cada um e a importância do respeito às qualidades e características de cada indivíduo, compreendendo como ele contribui e respeitando sua forma de ser e pensar.

Constitui, ainda, um dos ensinamentos mais relevantes para que os sucessores construam sobre a base antes edificada, remodelando, modernizando, mas sem destruição desnecessária. Quem fala que só se pode construir sobre a destruição, não entende da arte da restauração nem das reformas inspiradoras.