Assembléia na carpintaria.

31 08 2009

hand-tools-list-importantContam que na carpintaria houve uma vez uma estranha assembléia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar suas diferenças. O martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe notificaram que teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava todo o tempo golpeando. O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez, pediu a expulsão da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais. A lixa acatou, com a condição de que se expulsasse a trena, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora a única perfeita.

Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, a trena e o parafuso. Finalmente, a rústica madeira se converteu num fino móvel. Quando a carpintaria ficou novamente só, a assembléia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a palavra e disse: – Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos. Assim, não pensemos em nossos pontos fracos, e concentremo-nos em nossos pontos fortes.

A assembléia entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era especial para limar e afinar asperezas e a trena era precisa e exata. Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade. Sentiram alegria pela oportunidade de trabalhar juntos.

Ocorre o mesmo com os seres humanos. Quando uma pessoa busca defeitos em outra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas humanas. É fácil encontrar defeitos. Qualquer um pode fazê-lo. Mas encontrar qualidades, isto é para os sábios.

fonte: http://www.comunidade-espiritual.com – texto: assembléia na carpintaria





Abaixo a empresa familiar!

7 04 2008

billatsmart.jpgMuitos acadêmicos, consultores que atuam nas multinacionais e teóricos adoram dizer que a empresa familiar é um mal e que deveria evoluir para se transformar em uma sociedade aberta. Estas afirmações funcionam muito para a mídia, dando-lhes Ibope, mas carecem de uma reflexão mais profunda e mostram que não são realmente especializados em empresa familiar, por vocação e filosofia.

Em primeiro lugar, existem várias características da empresa familiar que são muito benéficas, sustentando o tecido econômico do Brasil, onde elas são muito representativas, sem citar o que ocorre em outras sociedades, onde também tem relevante contribuição social e econômica.

Em segundo lugar, as empresas familiares devem se profissionalizar, sim, mas isso não representa que deixem de ser familiares. Isto pode até ocorrer mas não é condição sine qua non. O ponto aqui é que elas assimilem o modo profissional de gerenciamento, distinguindo o que é empresa do que é demanda pessoal. Que integrem ao seu modo operativo e gerencial as melhores técnicas e os mais modernos recursos. Mas isso é também demanda para a empresa não familiar.

A questão central nas empresas familiares é a evolução das relações estruturadas sobre os papeis sociais na família – pai, mãe, irmãos, tios, cônjuge e outros – para as relações estruturadas sobre os papéis técnicos e de liderança efetiva no âmbito da empresa e dos negócios.

Isso ocorre também em empresas não-familiares. Quantas pessoas empregadas em organizações não-familiares têm com seus superiores uma relação quase idêntica à mantida com os pais? Quantas pessoas trabalham lado a lado, em multinacionais, reproduzindo as relações conflituosas com irmãos, que não foram mediadas pela maturidade e, portanto, continuam não evoluídas para uma visão mais madura dos relacionamentos?

A consultoria especializada em empresas familiares tem a clareza sobre como é fundamental levar as pessoas da família a compreenderem seus papéis técnicos e liderísticos no contexto empresarial, apoiando-as para aplicarem técnicas de gerenciamento e organização adequadas, e assim, com o tecnicismo correto, superarem seu modo subjetivo de se relacionar, como faziam no âmbito familiar.

Com este aprendizado, as empresas familiares não só se tornam ambientes saudáveis e estimuladores para a família e os funcionários como também formam pessoas que contribuirão com ética e respeito em novas organizações.





A lição dos galhos.

4 04 2008

galhos.jpgExistem teorias psicológicas que insistem no abandono dos pais, para que se processe a verdadeira autonomia de um indivíduo.  Estas afirmativas, quando feitas em tom paradigmático, podem comprometer toda a vida de um indivíduo. Devemos, sim, buscar a autonomia e a auto-realização, no entanto, desvincular-se dos pais é uma etapa entre tantas e não significa tudo isto. Penso que estas teorias são veementes neste aspecto para forçar a passagem da adolescência para a fase adulta, forçarem o desmame, por assim dizer. Mas deveriam, depois, ampliar o conceito porque os pais, assim como nossos ancestrais, fazem parte visceral de nossas vidas.

Como galhos de uma árvore, sabemos que se cortarem as raízes – nossos ancestrais -  morremos. Sabemos também que, se cortarem o tronco, os galhos também fenecem.

Os galhos crescem e se desenvolvem em sua plenitude e integridade, reconhecendo-se como únicos – uns cedem ao vento, outros empinam-se rijos, outros enovelam-se em outros galhos – mas integrados à árvore. Se não, fenecem.

A árvore foi uma escolha que fizemos, muito antes de entrar neste planeta. E mesmo que não creiamos nisto, só de olhar a realidade da natureza à nossa volta, e da própria vida, observamos que é preciso ter esta atitude de reverência aos ancestrais e aos pais, se quisermos crescer de forma plena. Existe uma interdependência harmônica no meio ambiente, no modo social que escolhemos, que faz com que as coisas caminhem e evoluam. Os casos de seres humanos encontrados em florestas, sem a vinculação social, são claros nos resultados desastrosos para seu desenvolvimento.

Reverência não significa dependência ou subserviência mas, sim, respeito ao que o outro foi e representa, reconhecimento de sua contribuição e de seu papel e atitude madura de fraternidade.

Quando a família não soube trabalhar este valor tão importante, não só a empresa familiar estará prejudicada mas, em nível mais amplo, a própria sociedade. Ela produzirá galhos desgarrados que entrarão no mundo competindo, sem ética, desrespeitando valores e verdades importantes, e interrompendo o fluxo da vida.

No dia a dia da empresa familiar, a lição dos galhos deve ser estendida à cadeia de comando e liderança, para que todos compreendam o papel de cada um e a importância do respeito às qualidades e características de cada indivíduo, compreendendo como ele contribui e respeitando sua forma de ser e pensar.

Constitui, ainda, um dos ensinamentos mais relevantes para que os sucessores construam sobre a base antes edificada, remodelando, modernizando, mas sem destruição desnecessária. Quem fala que só se pode construir sobre a destruição, não entende da arte da restauração nem das reformas inspiradoras.